quinta-feira, 21 de agosto de 2008



Desenho: Jamie Givens,
Publicado em Alpinist 24, Summer 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Marty Schmidt regressa do Everest





Hello everyone and greetings from Kathmandu. Today is the 7th of June.
Giannina and I walked out from base camp a few days ago, got stuck in Lukla for a few days of bad weather, pulled together all our equipment and today sorting out this gear for what stays in Nepal and what comes with us to Europe to guide Elbrus in Russia and then Kilimanjaro in Africa before heading home to New Zealand some time in Oct. this year.
What I need to talk about now is Tim's amazing ability to conform to the new heights that he experienced while on Everest.
As everyone can read, there were many summits of Everest this year. Just need to point out that Tim and I were climbing in a pure style, just him and I, no sherpas, no support, only back up O2 in place for medical reasons. On the 25th of May we made our attempt without O2 for camp IV, the south col.
Along the way, Tim tried his best to feel the altitude and work with it to get to a height that he never experienced before without any help from O2.
There was only one person who summited Ev
erest this year without O2, unfortunately he passed away on his return to the South Col. Tim and I were doing well without O2, until the yellow band, at around the 7,600 meter mark. I decided to see if Tim's speed work would be helped by a bit of O2.
Even with this boost, Tim's pace was not working for us. The goal was to pick up the pace for the south col or turn around for safety reasons. What we did was for the greater good.
Tim's future goals were confirmed with this Everest attem
pt. We have made plans for Cho Oyu in 2009, Gash 2 in 2010 and back to Everest in 2011. This is the path that will help him reach 8000 meters and above without O2, this takes courage and commitment, our beliefs in simplicity and our morals in climbing the 8000 meter summits with pure ways, no O2 or sherpas, just him and I and the goal of the 8000 meter summits, is possible because we believe in them.
This is the pure mountaineering experiences that we wish f
or and that is calling us to act upon. What we saw on the south side of Everest this year was a zoo. I could not believe how many sherpas were hired to haul all the clients gear to the higher camps, how much O2 cylinders were put in place by the sherpas in each camp so that the clients did not have to carry this gear, or set up their tents, or do...the normal mountaineering skills that one would expect a climber who summits Everest should be doing.
Ah well, I come from the climbing era of the 7
0, 80 and 90ies, where we did everything ourselves. This is the philosophy that I want my clients to know about and to experience. They come with me to be mountaineers and my climbing partner. I'll keep living this life style because it feels good to me to do so, also my clients feel so much better about their expedition doing it this way. When we turned for BC, everything felt right to do so. Tim pushed gear through the Khumbu Ice Fall 6 times, he was satisfied with his experiences and ready to trek out to Lukla, take the flight to KTM and head home to Dallas to family and friends. He will let them all know what an incredible experience he had on Everest. Giannina and I then decided to try for a one day ascent of Everest.
Having everyone clear out of Base camp, leaving just Giannina, Ningma, Sonam and myself, I felt ready to try for the summit in under 24 hours. Mark Batard made a 22 hour ascent many years ago and the record is now around the 12 hour mark by sherpas. But for us white folk to do it under 20 hours would be good enough for me. With just the 4 of us at BC, our food
was the best during these 5 days then all the other days combined.
Always make sure that BC food is the best in the world or get another BC organizer right away. Tim, Giannina and I suffered this year with bad food, hence we w
ill organized our own trip to the Himalayas from now on.

So, on the 28th of May, I left BC at 1800 hours. Making it to camp 1 in 2.5 hours, then camp 2 in 45 minutes. Arriving in camp 2 at 2115 hours. I r
est and changed clothes for .5 hours, leaving for the Lhutse head wall at 2145. I climbed well to camp 3 in 2 hours arriving at 0015 hours. I pitched my tent, brewed hot drinks, filled my thermos and left for the south col at 0115. I pushed gear to the col back on the 16th and new this area well.
Arriving at the Col at 0345, I took 15 minutes to look for the back up O2 cylinders that Tim and I planned to use for our ascent. We paid extra money for these cylinders to be in placed at the Col. I looked and looked and they were not there.
To me and Tim, this was a crime and we will look more into it in the near future. I promised my wife Giannina that we would have back up O2 in place, but it was not there, heads should roll for this. My next step was to check if i was feeling well enough to keep going for the summit. I left the south col at 0400, arriving at 8,200 meters at 0530, my lungs needed to be looked at.
I contracted a lung infection at some point and i s
tarted to heave green and yellow oysters, this was not a good sign to continue. I felt OK, a bit stretched with my air intake, feeling like I needed 3 good breathes for every good one. Yes 8,200 meters is high but I really felt like the infection was robbing me of good breaths. I made the decision to turn, I had the strength to do it right then.
Plus climbing to the summit without the back u
p O2 would not be good in chase I needed to rescue myself, since no one else was up there on the 29th May.
Happy 55 year anniversary Sir Ed.

All said now, it f
eels good to be back in KTM, eating well and looking forward to Elbrus and Kilimanjaro. Please write to me at my msigk2@gmail.com and I will be back in touch with all of you.
All the best from Nepal and we'll be in touch soon.
Cheers, Marty and Giannina

PS: O Marty é americano, guia de alta montanha, foi meu companheiro de tenda no Kangchenjunga em 2001 e tornou-se um grande amigo; escalámos o cume junto com o Piotr Pustelnik e o Brian Duthiers (os quatro na foto de topo, Marty de laranja). Recebi hoje esta mensagem do Marty que é um resumo da sua expedição Everest 2008 "guiando" um cliente. O Marty guia cumes de +8000m de um para um, ou de um para dois clientes.

terça-feira, 11 de março de 2008

Credenciação em Língua Pátria!






















(clique na imagem para aumentar)

Em tempos recuados, quando a Federação de Campismo resolveu organizar o montanhismo em Portugal por achar que tinha competência para isso, descobriu que não tinha técnicos!
Daí que tenha pedido aos clubes nela filiados que propusessem montanheiros para serem credenciados mediante avaliação do seu currículo. Assim constituíu o seu primeiro corpo de formadores em montanha.
Apresentei à Desnível o meu currículo onde se contavam vários 4000 nos Alpes, dos quais cinco vezes o Mont Blanc, três raides de ski alpinismo também nos Alpes, um 6000, um 7000 e dois 8000, mais uma tentativa no Lhotse em 2000 onde atingi 8400m!(*)
Recebi a carta que aqui anexo.
Vale a pena ler pois é muito engraçada!

Gonçalo Velez


(*) Dois meses depois de receber esta carta atingi o cume do Kangchenjunga, 8586m.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Sauvons l'Aigle

Há um refúgio no Parc des Écrins, o refúgio de l'Aigle, que as autoridades locais querem destruír para construír um novo!
Foi construído em 1910 e todos os materiais para a sua construção foram carregados por guias até aos seus 3441m de altitude.
Há uma petição para pedir a protecção deste refúgio e a sua conservação no estado original.
Assina-a aqui: ht
tp://www.sauvonslaigle.fr


quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Palestra: Expedição ao Manaslu (8163m) - Gonçalo Velez






No dia 15 de Janeiro de 2008 às 21h30 (em ponto!) realiza-se a Palestra sobre a Expedição ao Manaslu (8163 m) do Gonçalo Velez.

Será ocasião também para reinaugurar a sede depois das obras de ampliação recentemente efectuadas.
Local: Associação Desportos de Aventura Desnível, Casa da Gruta, Rua de São Mateus, Bairro de São José, 2750 Cascais, tel 214847084, tlm 961304929, ver localização.

Apareçam!









segunda-feira, 5 de novembro de 2007

CIM 2007


A Desnível, conjuntamente com a ESHTE está a organizar o III Congresso Internacional da montanha, que vai decorrer entre 23 e 25 Novembro de 2007, no Grande Auditório da ESHTE, no Estoril.

Os associados da Desnível tem acesso ao congresso a preços mais vantajosos.

Para consultar programa e inscrições visita o site do congresso: http://www.cim-estoril.com/

Plano de Actividades Desnível 2008

O Plano de actividades da Desnível para 2008 já está disponível.
Formação, palestras, encontros, estágios, etc...
Participa nas actividades e propõe outras. A associação é de todos nós, pelo que todos os que tiverem disponibilidade para enviar propostas ou se envolverem nas actividades são bem vindos.
A Direcção da Desnível agradece que enviem essas propostas para info@adesnivel.pt
Francisco Silva

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lembrando o Bruno e o RD


Na primavera de 2002 participei numa expedição ao Makalu (8470m).
Nas primeiras duas ascensões escalei com o RD Caughron, americano de Berkeley (Califórnia) com 58 anos de idade, um b
em sucedido gestor de sistemas
informáticos. Pessoa sociável e divertida, que lia a The New Yorker, e com quem conseguia ter conversas para lá da esfera do montanhismo.
Na nossa segunda ascensão o RD falava-me muito no Makalu La, o colo a 6900m que teríamos de dobrar para montar o C2 (7400m).
No dia em que acordámos no C1 (6500m) para seguirmos para o C2, ele acordou mais cedo do que é normal e falava-me entusiasticamente em irmos dormir ao C2. Como ainda não havia um trilho,
nem cordas, nem um reconhecimento desse itinerário, respondi-lhe friamente de que talvez não fosse boa ideia irmos carregados sem sabermos se lá chegaríamos.
Após muita insistência dele, lá carregámos uma tenda, sacos-cama, gás, panelas, fogão, alimentos, etc preparados para acampar no C2.
Nesse dia alguns alpinistas com os seus sherpas subiam ao Makalu La e montavam-se cordas. Nós subíamos lentos.
Por volta das 16h os sher
pas e os demais alpinistas ocidentais começaram a descer. Tinham fixo as cargas a amarrações e desciam alegando que as cordas fixas não chegavam ao cimo do corredor.
Continuámos lentos e sentindo algum cansaço, mas com capacidade para continuarmos por mais horas, até que atingimos o extremo da última corda.
O RD mantinha uma enorme teimosia em continuar!
Eu informei-o de que não seguia e que a minha decisão era a de descer para o C1.
Expliquei-lhe que estávamos carregados e cansados, que a neve no corredor a 45º tinha pouca consistência e sem cordas fixas constituía um risco acrescido, que o dia já ia longo e nós escalávamos
lentos e arriscávamo-nos a não atingir o topo do colo antes do caír da noite, que ainda para mais não tínhamos a noção da distância que nos separava do C2 nem das dificuldades que poderíamos enfrentar.
O RD concordou com tudo o que lhe expus, mas… decidiu que continu
ava!
Tentei convencê-lo a descer comigo: “é melhor jogar pelo seguro, amarramos aqui as cargas, descemos agora, e amanhã regressamos para tentarmos subir ao Makalu La”.
Eu estava perante um alpinista experiente que realizava pelo menos a sua quarta expedição a um cume de +8
000m. Tinha-lhe explicado as razões do meu abandono e ele percebeu-as. Sabia certamente quais as consequências dos riscos que lhe falei, e nada mais pude acrescentar.
Senti-me vagamente culpabilizado por abandoná-lo, mas sabia que a minha decisão era claramente baseada na prudência, e a dele baseada na obstinação ce
ga e no desvario.
Nada mais pud
e fazer…
Cheguei ao C1 era noite cerrada.
No dia seguinte às 8h, o italiano Fabriano vem ter comigo à tenda dizendo-me que o RD estava “morto”.
Os dois suíços, os únicos que tinham dormido no C2, tinham descido e passado por ele. Estava sentado n
uma rocha, uns 20m do local onde nos tínhamos separado. Tinha o casaco aberto e as mãos nuas, o saco cama tinha desaparecido, e aparentava estar em coma. Os suíços acharam que não tinham meios de ajudá-lo.
Nessa manhã o vento intensificou-se muito. Mesmo assim, o eslovaco Martin ainda tentou subir com medicamentos, mas acabou por desistir por cansaço e pelo estado do tempo que se agravava.


A conclusão que desejo apresentar deste episódio é a de que escalar cumes com mais de 8000m é uma actividade altamente exigente reservada a alpinistas muito experientes, que possuem total autonomia no campo técnico, físico e psicológico.
Esta é a disciplina mais elevada do alpinismo em todos os aspectos!
Se decidem participar neste tipo de actividade arriscam a vida, e fazem-no sobretudo com consciência dos risc
os objectivos e subjectivos envolvidos.
Em suma, sabem que podem morrer por via das suas próprias decisões e act
os. Cada alpinista é um ente autónomo, que faz parte de uma equipa, é certo, mas que tem iniciativa e vontade próprios.
Como em qualquer actividade onde se quebram barreiras e se ultrapassam as marcas estabelecidas, nos Himalaias não há regras definidas
e cada qual conhecendo os seus limites (ou julgando conhecê-los) procura exceder-se através do esforço
e da inovação.
É muito difícil con
testar à priori a iniciativa de um alpinista. Há feitos excepcionais que resultaram de ideias aparentemente “loucas” e que a maioria à priori condenou.
A única coisa que o João Garcia poderia ter feito junto do Bruno Carvalho no Shishapangma quando se cruzaram perto do cume, num episódio idêntico ao que exponho acima e ocorrido há um ano, seria aconselhá-lo a ter cuidado e a perder o menos tempo possível.
O atraso do Bruno nada de errado poderia denunciar.
E se algo de errado se passava com ele, teria de ser o próprio a saber decidir renunciar.
Se ele atentava um 8000m tinha de estar à altura das exigências da tarefa, em todos os seus aspe
ctos mais críticos.
A equipa que ele integrava não era uma equipa enquadrada por um guia como a
contece nas expedições comerciais. Mas, mesmo nestas, o guia acompanha para coordenar a equipa e decidir a táctica. Não acompanha para “tomar conta” dos clientes.
Já me atrasei em diversas situações, como para tentar recuperar a circulação num polegar ou estar 30 minutos a tentar abrir uma abertura de velcro na traseira das calças para poder obrar a 8400m!
O Bruno tinha de ter
a capacidade de decidir se estava capaz de prosseguir, e até onde.
Decidiu prosseguir, e provavelmente decidiu bem, por que se sentiria em boas condições.
Errou na descida do cume e infelizmente pagou com a vida.
Ninguém o
poderia ter evitado, só ele.

Gonçalo Velez


PS: Dias depois de escrever o texto acima, encontrei-me com o João que acrescentou dois dados:
a) Acordou com o Bruno, quando se separaram, que este teria como limite de horário as 14h para dar meia volta e descer;
b) Entregou-lhe o telefone de satélite para ele poder comunicar com o acampamento base, e daqui poderiam comunicar por rádio para o João no C3, caso o Bruno precisasse de ajuda.

Nota: É inacreditável existir gente que opina
sobre assuntos delicados e sérios, sem nada conhecer do assunto, tanto da matéria, como do contexto em que a acção ocorreu. Revelam ignorância e má fé!
O editorial do último panfleto da Federação de Campismo de Portugal (nº 15, Jul-Ago-Set 2007) é disso um exemplo flagrante e de muita gravidade.
Demonstra uma grande irresponsabilidade no que pretende questionar, não apresentando quaisquer fundamentos objectivos para tal.