terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O "Infernal" Corredor do Inferno

























































































































No passado Domingo 3 aspirantes a Alpinistas( Luisa Santos, Miguel Varino e eu) foram para a Serra da Estrela. Objectivo : Corredor do Inferno!
Nosso receio era que não houvesse neve nos corredores devido à semana de chuva incessante que predecedeu à nossa actividade, mas para a nossa felicidade apesar de realmente não haver muita neve a que restava era sufciente e estava bem gelada e tinham-se formado lindas cascatas de gelo.
O Corredor do Inferno presenteou-nos com 3 cascatas ao longo do percurso sendo o 2º o "crux" da via. Sem piolets e crampons técnicos lá fomos. Sendo o meus piolets os mais adecuados lá tinhamos de os emprestar uns aos outros para escalar as cascatas.
Na tal 2ª casacata o Miguel foi o 1º. A Luisa deu-lhe segurança, o Miguel subiu, montou uma reunião, baixou os piolets, e a Luisa era a seguir. Diga-se que esta cascata era a mais difícil de subir porque era ligeiramente extraprumada, e o gelo estava tão duro que os bicos frontais dos nossos crampons tinham dificuldade em penetrar no gelo. Para mais os nossos crampons não são crampons para casacatas. Tinhamos que procurar reentrancias no gelo e aí procurar apoiar os pés. Bem , isto tudo para explicar que a Luisa chegou cansada ao topo da cascata , e quando quis descansar os braços, abriu as mãos, e emvez de ficar pendurada nos piolets, as mãos saem das luvas, saem das dragoneiras e cai.... os piolets ,esses ficam direitinhos onde tinham sido postos, no topo da cascata, com as luvas também direitinhas enfiadas nas dragoneiras....
Aínda hoje temos pena de não ter tirado fotos aos piolets. Foi mesmo cómico.
O problema foi depois . Aínda tentei subir com os piolets "normais" da Luisa e do Miguel, mas não consegui. As mãos escorregavam pelo cabo, não tinha dragoneiras, tinha que fazer imensa força nas mãos para segurar os piolets e ao mesmo tempo apoiar-me neles. Depois de várias tentativas infrutíferas e os braços feitos num "oito",o Miguel acabou por ter que vir em nosso socorro. Baixou até ao cimo da cascata , depois de bloquear as nossa cordas, e ajudou-nos a subir por uma greta na rocha ao lado, senão nunca mais saíamos dali.
Foi uma risada.
De qualquer modo adoramos fazer o corredor. Nunca o tinhamos encontrado tão "Técnico".
Aprendemos com os nossos erros, vimos a diferença que faz ter material adecuado, treinamos e acima de tudo divertimo-nos.
Tivemos pena de não encontrar o Rogério e o Tó que estavam a dar formação ao curso de iniciação, mas perdemos muito tempo na tal 2ª casacata que acabamos o corredor já tarde.
Aqui vão algumas fotos da nossa actividade.















segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais fotos Curso Desnível básico de Alpinismo Janeiro 2010









Foram realizadas as seguintes actividades pedagógicas:
Evolução em neve dura sem crampons;
Auto-detenção com e sem crampons;
Escola de gelo em terreno plano e exercícios de equilíbrio apenas com crampons;
Cramponagem lateral, frontal e técnica mista francesa;
Montagem de reuniões em neve dura e em rocha;
Evolução em cordada de 2 e de 3, com reuniões e corda de segurança;
Técnica de descida em neve dura;
Gestão de material; Etc.;
Ficam mais algumas fotos

1ª saída do curso básico de alpinismo Desnível - Serra da Estrela, 30 e 31 de Janeiro de 2010





Decorreu com frio, neve, mas também algum sol no sábado a 1ª saída do Curso básico de Alpinismo da Desnível. As raposas conseguiram debelar alguma da nossa comida (e rasgar uma tenda) e os alunos estiveram em bom nível, apesar das condições agrestes, a rondar os 4 negativos, com vento bem presente. Um abraço. Alpine

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Manaslu, 8156m


Esta é a minha nova imagem de fundo de monitor: subida ao C2 (6200m) do Manaslu em Set 2007.
(clica para ampliar)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quebra-ossos: um abutre de montanha de volta a Portugal?









O Quebra-ossos (duas últimas fotos) é o mais raro dos quatro abutres que ocorrem na Península ibérica, dos quais três existem e nidificam em Portugal (Grifo, fotos 3 e 4, Abutre-preto, foto 5, e Britango,foto 6).
Ao contrário dos restantes três, este é um abutre que ocupa exclusivamente o biótopo de montanha. É o último dos abutres a alimentar-se na confusão do festim sobre a carcaça morta (vaca, veado, camurça, cabra, etc. fotos 1 e 2), constituindo os ossos 70% da sua dieta, com a pele e tendões a ocupar outros 25%.
Quando não consegue deglutir os ossos inteiros, eleva-os no ar e solta-os sobre pedras da sua preferência, sempre as mesmas. Na actualidade existe uma população viável de 100 casais reprodutores nos Pirenéus, em ligeiro aumento, depois de um enorme declínio até ao final do século XX.
Existem ainda, na zona mediterrânica, espécimes residuais em Creta, Córsega, Balcãs e Marrocos. Era uma espécie comum em todas as cordilheiras montanhosas espanholas no início do século XX. Nos Alpes extinguiu-se em 1922 e decorre um programa longo de reintrodução da espécie, com excelentes resultados. Em Portugal, os últimos registos correspondem a dois exemplares mortos pelo Rei D. Carlos em 1888, no Guadiana (conservados no Museu de Coimbra).
No entanto, existe registo, em Espanha, de casais de quebra-ossos em duas zonas fronteiriças, ainda entre 1900 e 1940, concretamente na região da actual barragem da Chança (Mértola) e de Barrancos (Pico de Aroche, 712 metros).
A espécie, além de todo o tipo de perseguições e envenenamentos, era ainda muito apreciada em museus e colecções privadas, tendo Hiraldo publicado, em 1979, a informação de que 35 dos 54 ovos de Gypaetus Barbatus presentes em vários museus europeus eram provenientes da Andaluzia.
As campanhas de perseguição intensificaram-se nos anos 60, promovidas e recompensadas pelo governo espanhol, com resultados especialmente nefastos nas serras da Andaluzia.
Em 1958, 4 casais ainda tiveram nidificação confirmada nas serras de Cazorla e de Segura (Jaen) num total de 6 casais existentes. A última nidificação confirmada ocorreu em 1983, enquanto em 1987 foi observado o último indivíduo em liberdade. Os estudos posteriores, tendentes à sua reintrodução, indicavam que o “Parque Natural das serras de Cazorla, Segura e Las Villas” poderia suportar até 15 casais de Gypaetus.
O projecto de reintrodução do Brita-ossos em Cazorla-Segura sofreu um importante desenvolvimento em Novembro de 2004, ao ser integrado no mais amplo projecto Life da Comissão Europeia, sendo então dotado de um orçamento total de 1.650.000 euros.
Este projecto teve ainda um factor muito positivo a seu favor (tal como o de reintrodução em alguns países balcânicos) que foi o de poder colher ensinamentos e toda a experiência acumulada com a reintrodução nos Alpes, entre 1982 e a actualidade (com mais de 150 juvenis libertados, após ter sido dado como extinto em 1922).
O responsável máximo pelo projecto foi, entre 1996 e 2005, o Dr. Alex Llopis, coordenador também do centro de reprodução de Guadalentin. Este centro obteve a primeira reprodução com êxito em 2001, sempre com um mínimo de intervenção humana, sendo os “pollos” criados em exclusivo pelos seus pais. Entre 2001 e 2006, um total de 21 ovos deram origem a 12 eclosões, das quais 8 atingiram crias voadoras (1 a 3 por ano).
Em 2007 o centro possuía 24 indivíduos, entre os quais se encontram já 3 casais com reprodução bem sucedida. Alguns recém-nascidos têm sido trocados com o projecto francês da Asters.
Em 13 de Maio de 2006 ocorreu o grande momento do projecto: a libertação de 3 indivíduos na natureza, em plena serra de Segura. 3 machos, baptizados de Libertad (do centro espanhol de Guadalentin), Tono (de Viena, Áustria) e Faust (do Zoo de Liberec, Rép. Checa).
Foram libertados com cerca de 100 dias de vida, tendo iniciado os primeiros voos com menos de 120 dias de vida. A partir daí, a sua estratégia de alimentação tem seguido a dos Grifos, sendo também vistos nos alimentadores.
Um dado curioso, é que a prospecção de comida levada a cabo pelos jovens Gypaetus vai-se alterando ao longo da vida, deixando a companhia dos Grifos para passar a assumir voos de prospecção solitários, ao longo da linha de degelo, em busca de animais apanhados por avalanches.
Estes juvenis libertados estão equipados transmissores GPS, montados em arneses pélvicos, previamente testados em Grifos, com bons resultados. Tal seguimento por satélite tem permitido confirmar que as aves frequentam maciços fronteiros, não se confinando apenas à serra de Segura.
Após o primeiro ano de vida, o juvenil “Tono” prolongou os seus voos de dispersão até aos Pirenéus e voltou passados 6 meses, enquanto outros exemplares de deslocaram até aos Picos da Europa.
Aliás, a Serra Nevada, Murcia e Albacete têm sido estudadas como localizações alternativas às serras de Segura e Cazorla, pela sua proximidade e pela disponibilidade de territórios e escarpas adequadas à ocupação de novos casais. A monitorização é ainda especialmente importante pela proximidade de importantes corredores migratórios para África, utilizados também por Grifos.
O projecto contempla ainda acções de divulgação junto de escolas, associações de caçadores e habitantes em geral, que levaram ao contacto com mais de 66.000 pessoas ao longo do período em causa (de 1996 até à actualidade).
Por fim, uma referência às causas de morte dos quebrantahuesos em toda a Espanha (Pirenéus e Andaluzia) entre 1979 e 2004: Veneno (32% das mortes), linhas eléctricas ou teleskis (24%) e tiros (18%), entre outras causas.
No entanto, em 1980, os tiros representavam ainda 60% das causa de morte, vindo a descer gradualmente, sendo agora o veneno a principal causa de morte.
De referir um interessante método de combate ao veneno, a analisar em Portugal: Na Andaluzia foi criada em 2006 uma equipa cino-técnica em que um grupo de cães treinados detecta iscos e carcaças envenenadas. Um exemplo a seguir em Portugal, dados os bons resultados alcançados no país vizinho.
Dado o sucesso do programa de reintrodução nos Alpes e o bom começo do programa na Andaluzia, basta que esperemos alguns anos até que o Quebra-ossos volte aos céus do Guadiana e das serras fronteiriças portuguesas.

Texto e fotos de Rogério Morais
Dezembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Iniciar-se no Ski de Montanha ou de Fundo



por Rogério Morais

Portugal é um deserto para o Ski de Fundo e para o s
ki de Travessia. Sobretudo para o primeiro.
Se querem mesmo investir na modalidade, emigrem.
Aplicável a ambas as modalidades:

· Uma prática consistente em ski de pista ajuda muito, quer para o ski de fundo, quer para o ski de travessia, sendo quase obrigatório para este último.
· É mais fácil começar a praticar e a ter lições de ski de pista, do que as outras duas modalidades.
· A compra de material é quase impossível em Portugal. Ou em 2ª mão, aos 4 ou 5 praticantes que conheço, ou no estrangeiro. Uma vez na Decatlhon comprei uns skis de fundo para o meu puto mais pequeno, mas foi a única vez que vi algo a vender em Portugal.
Claro que as lojas podem encomendar… ou a Net.

· Locais não virtuais, bons para compra são, por ordem de preferência pessoal:
o Andorra e Pas de la Casa
o Madrid (el Rastro)

o Chamonix

o Paris

· Para iniciados, considerar sempre a compra em segunda mão. Em particular
, as lojas que se dedicam ao aluguer fazem com frequência renovações de stock e despacham o material que têm. Para o iniciado português, ter o ski “skating carve 2009” ou ter o ski paralelo 2006, vai dar quase ao mesmo. E gasta-se um terço.
· Atenção sempre à compatibilidade perfeita entre fixação
e bota. Modelos de anos diferentes podem não ser compatíveis. Algumas botas e fixações de travessia são universais. Algumas botas de pista podem desenrascar em fixações universais de Travessia.



Aplicável ao ski de fundo:
o O ski de fundo pratica-se em pistas de ski de fundo (com zonas traçadas e zonas de skating, lado a lado). Em Portugal não existe nenhuma, na Covatilla também não. As mais próximas são:
o Navacerrada, a 50 km de Madrid e a 650 de Lisboa o Sierra Nevada, a 750 km de Lisboa o Pas de la Casa, a 1400 km de Lisboa o Gavarnie, em anos de muita neve, a 1.400 km de Lisboa
o Nos dois locais acima alugam material de fundo.

o Com uns skis de fundo polivalentes e resistentes, é possível iniciação no planalto da serra da Estrela, por iniciativa própria. Foi assim que
eu comecei, há pouco mais de 25 anos, mas é duro (o chão é duro, que a neve passa rapidamente a gelo no planalto, a cabeça do fémur é dura, o cóccix é duro, tudo é duro…)
o Numa pista de ski de fundo, começar pelo passo alternado, e só depois de dominar este, passar para o skating.

o É possível a iniciação no ski de fundo sem saber nada de ski de pista, mas mais uma vez é duro… Depois ajuda bastante no ski de pista, é a boa notícia.


Aplicável ao ski de Travessia:

o Iniciem-se no ski de Pista

o Aperfeiçoem-se no ski de Pista
o Abordem Negras no ski de Pista.
o Depois iniciem
-se no ski de Travessia. Pode ser na Estrela. Preparem-se para investir no material (Botas de Travessia, skis de travessia, fixações, peles de foca, crampons de ski de travessia. A boa notícia é que os batons podem desnrascar os de pista… mas com rondeles grandes.
o Algumas botas e fixações de travessia são universais. Algumas botas de pista podem desenrascar em fixações universais de Travessia.

o Em Benasque alugam material de Travessia
e dão cursos. Em La Grave (Ecrins/ Oisans/ La Berarde) também. Aliás recomendo La Grave para o ski Hors Piste e mesmo Travessia (duas coisas ligeiramente diferentes, basicamente no Hors Piste os calões não querem subir).
o Melhores
locais para a travessia:
o Estre
la
o
Sierra de Bejar, ao lado da Covatilla o Guadarrama, ao lado da Navacerrada, a 50 km de Madrid
o Aneto
o Posets.
Espero ter ajudado a esclarecer algumas dúvidas,
e espero não vos ter empurrado definitivamente para a emigração.

PS – Estou ao dispor para dúvidas pontuais.

Rogério Morais

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

XPD Etapa 2: Lousã - Esporão - Loriga - Penhas da Saúde


A 1ª parte da Etapa 2 consistia num trekking de cerca de 45Km com 3370m de subida acumulada. Aqui segue mais um relato do Tiago:

"Para a nossa equipa a primeira secção foi bastante longa, cerca de 9 horas de caminhada. Tempo estável, nublado mas sem chuva, fresco, óptimo para actividade! Algumas equipas tiveram receio de fazer o BTT da secção seguinte à noite e fizeram a caminhada directamente até ao ponto de chegada fazendo apenas um CP. A etapa iniciou às 8h, as primeiras equipas eram esperadas por volta das 15h, mas às 11h todos na área de transição se surpreenderam quando a primeira equipa apareceu inesperadamente. Várias outras seguiram a mesma estratégia efectuando apenas um CP no caminho mais directo para área de transição, provocando algum alvoroço! Chegou a ser divertido ver o pânico dos assistentes a correr com bicicletas, comida e roupa de BTT! A equipa Desnível não teve medo do escuro e fez uma longa pedestre controlando 5 CP, deixando de lado apenas o bónus, uma estratégia muito arriscada na medida em que demorou demasiado tempo. Quando chegaram, já os primeiros, em tempo, andavam no BTT há 6 horas, aproveitando o sol!

No trekking, um dos CP era numa zona de escalada, em que dois elementos escalaram e dois deram segurança. Havia um outro num canyon, mas a esse não conseguiram chegar antes do tempo limite para efectuar a descida. Tratava-se de um canyon de 3 horas que fechou às 15h30 para não haver equipas a fazê-lo de noite. Chegaram bem dispostos, e famintos! Comeram bem, rápidamente trocaram de roupas e arrancaram nas bicicletas, com a metereologia a complicar-se bastante..."


As Secções 2 e 3 da 2ª Etapa consistiam numa prova de BTT de uns "meros" 103Km e 5770 m de subida e num treking de 41Km e 2500m de subida! O perfil da etapa pode ser visto nas imagens em baixo:


"Esperava-os uma secção de BTT duríssima, cerca de 100km com 5700m de desnível, pela noite dentro. O problema foi a deterioração das condições metereológicas com o final do dia. Terminaram a primeira secção (Esporão) já com o dia a acabar e a transição já foi feita com frontais. Arrefeceu muito, e caiu um nevoeiro cerradíssimo que não permitia ver mais de 3 metros. A equipa partiu, mas perante o cenário optaram por parar num refúgio na zona de Fajão onde repousaram durante 7 horas! O que parece ter sido uma enorme perda de tempo, acabou por revelar-se uma boa opção para uma equipa sem o objectico de vencer o campeonato. Para ter uma ideia da dureza das condições, cerca da 1 hora da madrugada, soube-se da primeira desistência. Ao longo da noite, a exigente travessia da Serra da Estrela foi fazendo "vitimas", e ao amanhecer da primeira noite de prova, havia já 6 desistências, 3 das quais eram equipas do top10 da classificação, e duas do top 3 - as equipas suecas, uma das quais foi campeã mundial em 2004. Apenas 5 equipas tinham feito todos os CP e bónus até ao inicio do Btt. Duas delas, as suecas, desistiram na chegada às Penhas da Saúde. É revelador..

No final desta etapa assumiram-se claramente os favoritos, a equipa americana da Nike, e os NeoZelandeses da Orion. Duas equipas espanholas mantém-se também na luta, a Buff e a Condor, esta última, sem o elemento feminino, foi a vencedora do III Raid Ranger recentemente realizado na zona do Douro onde a equipa Desnivel conquistou o titulo Ibérico em Elite Mista. Já começa a ser quase lugar comum dizê-lo, mas é incrivel como os espanhois têm atletas de topo, em todos os desportos...

Todas as equipas chegaram ao final da etapa a comentar a extrema dureza da noite que tinham passado, pela combinação dos declives "himalaicos", o nevoeiro o frio e em algumas zonas o vento forte.

Durante o dia, a maioria parou para dormir cerca de 4 horas, algumas menos. Só a Nike e a Orion, seguiram directamente para a etapa seguinte! Incrível!"


"Quanto à nossa equipa Desnível, apesar de terem estado parados 7 horas, é certo que foram os últimos, foram os únicos que não dormiram na chegada às Penhas da Saúde que aconteceu apenas 20 minutos depois das duas equipas anteriores, a brasileira e a costa-riquenha. É dificil de acreditar, mas é verdade, dormiram 7 horas, e mesmo assim ganharam tempo a várias equipas!

Chegaram às Penhas às 23h. A etapa seguinte iniciava com uma secção de Downhill em BTT. A equipa decidiu não fazer a descida de noite por razões de segurança, mas isso implicaria um atraso que poderia levar a não conseguir concluir a etapa dentro do tempo limite e ter de deslocar-se até ao inicio da etapa seguinte sem poder controlar pontos. Perante este cenário e não perdendo o objectivo de concluir a prova disfrutando as etapas, ficou deliberado saltar a etapa 3 e recomeçar a prova na 4ª etapa.

Dirigimo-nos assim para Vila Velha de Rodão onde pudemos tomar um banho retemperador e dormir comodamente, e onde nos encontramos todos neste momento, 4ª feira 12h, à espera que chegue a primeira equipa em prova, de acordo com o previsto no regulamento. As equipas vêm de Malpica do Tejo, na ultima secção da 3ª etapa, um percurso de 50km em Kayak. Prevê-se que as primeiras equipas, que não fazem todos os CP, cheguem por volta das 13h, cerca de 26 horas depois de terem saído das Penhas da Saúde!Terão pela frente 40km de trekking até Marvão, e depois 160km até Vila de Rei, onde terminará a 4ª etapa."


Fotografias e gráficos obtidos através do sitio oficial do XPD

Reporter XPD - I


O nosso reporter radical, Tiago Branco, conseguiu entre tarefas enviar-nos às tres horas desta madrugada um relato do que tem sido a prova desde o seu inicio. Leiamos então uma descrição quase na primeira pessoa!


"Boas!

Para saber do andamento da nossa equipa, teóricamente, o melhor seria o live tracking do google maps no site do XPD, isto se o emissor de GPS que anda com eles não tivesse ficado sem bateria!! Assim, no site eles estão parados desde as 7h30 de terça-feira! :)

A prova foi projectada para decorrer em 5 etapas cada uma delas constituída por várias secções que por sua vez têm check points (CP’s) que devem ser controlados. Os CP’s podem ser prioritários ou bónus. A classificação é feita ordenando as equipas por nº de cp’s prioritários, n.º de cp’s facultativos e tempo, por esta mesma ordem.

Resumidamente, a primeira etapa decorreu na zona de Cascais/Sintra acessível técnicamente mas desgastante tendo em conta o que os atletas tinham pela frente. Na óptica da organização era uma etapa de lazer, uma espécie de aquecimento, permitindo dinamizar a região e permitir desfrutar de trilhos épicos no panorama das corridas da aventura. Uma secção inicial muito eclética, composta por diversas actividades como surf, escalada, kayaksurf, petanca e jogo da malha entre outras, espalhadas em Cascais e no Estoril e sempre com carta militar. Cada uma tinha pontuação específica, e o objectivo era fazer uma escolha de modo a atingir 100 pontos e receber um CP bónus, ou seja, só alcançavel para as equipas a lutar pelo primeiro lugar, ou para as menos experientes neste tipo de gestão de esforço, como se veio a revelar mais cedo do que se pensava (desistencia de 6 equipas muito precocemente). É importante referir que este tipo de prova com bónus e em que os CP não são obrigatórios, não é habitual no estrangeiro, pelo que as equipas não estão rotinadas a fazer uma gestão da escolha de CP´s, o que representa um desafio extra.

O nosso capitão Miguel, em sintonia com os restantes elementos, decidiu logo no briefing não ir à secção denominada score 100 e foram directos para a segunda secção, uma etapa de cerca de 20km em patins em linha e tryke, da praia dos pescadores até ao campo de futebol da Malveira da Serra. Uma chuva míuda complicou um pouco, especialmente nas passadeiras que se revelaram muito escorregadias para os patins, de resto decorreu sem problemas! Ficou muito marcada uma enorme diferença na patinagem das equipas de topo, especialmente as nórdicas.


O resto do dia foi preenchido com mais três secções sem grande exigência ao nível da orientação; uma pedestre até à Peninha passando pela praia da Ursa, onde apanharam as bicicletas para descer ao Parque da Marmeleira em Murches e para depois continuarem em trekking, e assim terminar a primeira etapa em Cascais por volta das 17h.

O balanço foi positivo, todos terminaram bem, e os 5 CP’s prioritários da etapa foram atingidos. Só ficou de fora o bónus!

Depois de um banho retemperador em casa da Sílvia e de uma (fraca) injecção de hidratos de carbono da telepizza, arrancámos para a Lousã, onde começaria a segunda etapa.

Após um curto sono acantonado no ginásio da escola da Lousã, ainda mais curto para o Miguel que ficou a traçar percursos na resma de mapas (78 ao todo entre formatos A3 e A4).


A prova reiniciou no Castelo da Lousã onde se deu uma nova partida em massa, sempre muito animada, para a primeira etapa verdadeiramente dura da prova!

Esta etapa levou as equipas da Lousã às Penhas da Saúde em 3 secções. Primeiro uma secção pedestre até Esporão, depois em BTT até Loriga e a finalizar, uma caminhada (ou corrida para os que disputam os primeiros lugares) até às Penhas da Saúde. É deslumbrante assistir ao vivo ao ritmo das equipas de topo! Estiveram cerca de 30 horas em contínuo esforço e chegaram às Penhas da Saúde a correr! A maioria fez a primeira paragem nas Penhas para recarregar baterias, comer muito e dormir! É muito interessante assistir a toda a mecânica das equipas, desde a gestão do esforço, à nutrição, o equipamento, o material técnico, óbviamente há muitas diferenças! Desde os que têm 4 elementos de assistência, cozinhas ambulantes etc, aos que nem assistência têm, o que chega a ser comovente, vê-los chegar derreados a uma área e estarem por sua conta, enquanto outros têm tudo preparado até ao pormenor de ter gomos de laranja separados e o material com revisões integrais!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

XPD - Flash News 1

O Tiago Branco é o nosso repórter de serviço na prova e acabou de nos enviar noticias fresquinhas sob a participação da desnível! Segundo ele:

- A primeira noite de prova, Lousã - Penhas da Saúde, já fez com que seis equipas desistissem!!! A equipa desnivel acaba de chegar (14h40 10/11/09) a Loriga em Btt e prepara-se para iniciar o duro trek para as Penhas! Embora tenham sido a ultima equipa a chegar a este CP encontram-se animados e confiantes. A chegada às Penhas já deverá acontecer pela noite sendo que serão obrigados a pernoitar aqui antes de prosseguirem para a próxima secção.

Desnivel no XPD Race!

Miguel Fernandes, Silvia Araujo, Rui Miguel Rocha, José Tavares e Tiago Branco (assistência)

Começou no passado Domingo uma das provas mais duras realizadas em Portugal de corridas de Aventura. A desnivel tem o prazer de poder contar com a presença de uma equipa de 4 + 1 elementos que podem ver na fotografia em cima. Trata-se de uma verdadeira maratona que põe a exame todas as capacidades fisicas e animicas dos participantes durante aproximandamente 6 dias. As equipas têm de completar os 900 Kms de prova em 127 horas ininterruptas, utilizando o BTT, a corrida, o kayak, os patins e bem como a escalada

Acompanhem toda a prova no sitio oficial ou informações mais especificas da Equipa DEsnivel aqui pelo blog ou pelo seu sinal de gps (muito giro!!)!!

Vamos lá torcer por eles! Se quiserem deixem aqui as vossas mensagens de incentivo!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dia 7 foi assim na Sede

No passado dia 7 de Outubro, realizou-se mais uma palestra na sede da Associação Desnivel traduzindo um esforço da actual direcção e de alguns sócios no sentido de promover uma maior interacção entre associados. Desta vez não faltou sequer bolinhos e moscatel para o convivio no final. Ora vejam as imagens para ficarem com uma ideia do ambiente reinante:

Durante esta palestra pudemos ouvir relatos de realidades de montanha com 30 anos e relatos de realidades com apenas alguns meses! As diferenças são enormes mas por outro lado algo se mantem - a paixão e irreverencia dos amantes da Montanha! Os palestrantes de serviço foram o Rogério Morais, o Luis Fernandes e o Paulo Baptista.

E no final foi mesmo assim!


Imagens de Rogério Morais e Paula Margarida

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Horrível Parapente?


Com o meu acidente tão dramático descrito abaixo gostaria de deixar a impressão de que é um desporto muito aliciante, maravilhoso e viciante para quem gosta de desafios na Natureza.
Deixo aqui um link para o filme Speed Bars
de Phillipe Broers captado no campeonato do Mundo no México em Fev 2009.
Reparem que quando as asas começam a girar em círculo é onde se situa uma corrente de ar ascendente, a térmica, e deve-se manter dentro dela para se subir.
Com tantos competidores nesta prova é incrível o espectáculo da constelação de asas girando ordenadamente, todas no mesmo sentido.

Foto: Cláudio Virgílio

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sobreviver! Acidente de parapente do Gonçalo Velez

As nossas motivações de praticar desportos de aventura passam muito pela descoberta e pela aventura controlada. O risco é uma constante e muitos temos estórias em que o limite da aventura foi ultrapassado.

Esses momentos são marcantes, uns são impelidos a desistir, a calçar pantufas para não mais as tirar, outros tiram ensinamento mas regressam consciente que a vida é efémera e que temos de reforçar a atenção para continuarmos por cá.

Mas quem se aventura e passou por momentos extremos, sabe que nem tudo depende de nós, um conjunto de factores podem levar-nos à sobrevivência ou ao desconhecido.

A estória que quero contar aqui é extrema mas com fim feliz, apesar de todos os dados e inconveniências.

É uma estória que tem como protagonista o impulsionador deste blog e de um amigo. Será certamente, entre muita vivência e estórias extremas que o Gonçalo Velez deparou na sua vida de aventureiro a mais marcante. Uma estória que ainda está a viver.

O Gonçalo foi pioneiro em Portugal na exploração aos Himalaias, sendo o primeiros português a subir um oito mil (em 1991 o Annapurna com 8091m), sendo que embora sem abandonar o himalaísmo passou a dedicar-se essencialmente ao parapente.

A motivação por ambientes de montanha leva-o a procurar grandes espaços e realizar voos de grande distância, desenvolvendo competências que o impeliram a adquirir uma assa muito técnica de competição. Mas como todos sabemos para maior performance é necessário mais ligeireza, mais técnica e os erros ou variáveis tornam-se mais estreitos.

No último voo que realizou, tudo parecia estar perfeito, o dia límpido e o vento adequado. A Serra da Estrela chamava assim a mais um dia excelente para voar. A descolagem foi perfeita ao que se seguiu um conjunto de manobras para ganhar altitude, recorrendo ao auxilio de ventos ascendentes.

Mas inesperadamente, uma rajada de vento levou à instabilidade da asa, preocupado em tentar controlar a assa não se apercebeu que descia vertiginosamente, perdendo tempo e o momento que lhe permitia abrir o paraquedas de recurso. O que se sucedeu é impressionante de ver, certamente mais de sentir e de acompanhar para quem assistiu e participou no socorro.





As consequências foram graves, fracturas num braço, pulmão perfurado, colapso da bacia, hemorragias internas e externas. A probabilidade de sobrevivência parecia reduzida, mas o sistema de amortecimento e protecção, o socorro pronto e excelentes cuidados de saúde permitiram-no manter agarrado à vida. Depois seguiu-se muita perseverança, muita capacidade de luta do Gonçalo, muito trabalho dos profissionais de saúde...

O Gonçalo continua internado no hospital ortopédico na Parede, recebendo visitas durante a tarde, continua sem se poder colocar de pé, mas em breve passará a mais uma fase importante, com desenvolvimento e recuperação da mobilidade.

Um grande abraço para o Gonçalo e os desejos de uma total e rápida recuperação.

Viva a vida!

PS: O Gonçalo escreveu uma descrição detalhada do seu acidente que podes ler no blog dele sobre parapente "Atira-te ao Ar!".